LGA / Leitura e prática

Laboratório de escrita

Temas de provas anteriores e redações comentadas para observar como um argumento se constrói — e como pode melhorar na reescrita.

Começar pelas redações comentadas ↓

01 / Propostas de redação

Temas anteriores

ENEM: aplicação regular principal de 2021 a 2025.
FUVEST: edições de 2022 a 2026.

Na FUVEST, o ano identifica a edição do vestibular e pode diferir do ano de aplicação. Abra a prova oficial para ler a coletânea e todas as instruções.

10 temas

ENEM · 2025Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira

Por onde começar

Não reduza o envelhecimento a uma doença. Pense em autonomia, participação social e nas diferentes condições em que se chega à velhice.

ENEM · 2024Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Por onde começar

Diferencie a presença dessa herança de seu reconhecimento social. Escolha um obstáculo e explique como ele dificulta a valorização.

ENEM · 2023Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Por onde começar

Delimite o que é trabalho de cuidado e discuta por que sua distribuição e seu reconhecimento são desiguais.

ENEM · 2022Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

Por onde começar

Evite tratar povos e comunidades diversos como um grupo homogêneo. Relacione valorização cultural, direitos e condições de existência.

ENEM · 2021Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil

Por onde começar

Explique a relação entre documentação e acesso a direitos. Não confunda a existência de direitos com a possibilidade de exercê-los.

FUVEST · 2026O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado.

Por onde começar

Na opção dissertativa, examine a afirmação: em que situações o perdão pode encontrar condições ou limites? Distinga perdão, reconciliação e responsabilização.

Esta edição também ofereceu uma alternativa: uma carta a uma pessoa que fez uma acusação falsa, explicando a decisão de perdoá-la ou não. Consulte a proposta completa para as instruções de cada opção.

FUVEST · 2025As relações sociais por meio da solidariedade.

Por onde começar

Investigue como a solidariedade constitui relações sociais. Evite apenas listar boas ações: explique vínculos, interesses e contradições.

FUVEST · 2024Educação básica e formação profissional: entre a multitarefa e a reflexão.

Por onde começar

Discuta a tensão entre responder a várias demandas e dispor de tempo para pensar. Relacione os dois lados à educação e à formação profissional.

FUVEST · 2023Refugiados ambientais e vulnerabilidade social.

Por onde começar

Relacione deslocamentos ambientais à desigualdade das condições de proteção, mobilidade e acolhimento.

FUVEST · 2022As diferentes faces do riso.

Por onde começar

O riso pode aproximar, constranger, criticar ou excluir. Construa um recorte que explique uma relação entre essas possibilidades.

02 / Escrita e reescrita

Redações comentadas

Duas versões iniciais, com acertos e problemas para discutir.

Os textos abaixo foram criados para fins didáticos. Não são redações de alunos nem modelos de nota máxima. Os comentários apresentam caminhos de revisão, sem avaliação oficial das bancas.

ENEM · 2025Envelhecer com autonomia

Redação fictícia para estudo · contém problemas intencionais

Esta proposta trabalha a argumentação e a intervenção. O comentário é didático e não atribui nota pelas competências do ENEM.

Primeira versão

01O envelhecimento é parte da vida, mas a maneira como uma sociedade o acolhe depende de suas escolhas. No Brasil, discutir as perspectivas acerca desse processo exige considerar a autonomia das pessoas idosas. Tanto as barreiras de acesso a serviços quanto a suposição de que a velhice implica incapacidade podem restringir sua participação social.

02Um serviço pode estar disponível e, ainda assim, ser difícil de utilizar. Considere uma situação hipotética: uma pessoa idosa precisa marcar uma consulta, mas encontra apenas um aplicativo cujo funcionamento desconhece. Sem atendimento alternativo, ela passa a depender de terceiros para resolver uma necessidade pessoal. Nesse caso, a dificuldade não está necessariamente na idade, mas na organização do acesso ao serviço.

03Além disso, todos os idosos são abandonados pela família e não conseguem acompanhar a tecnologia. A sociedade não respeita ninguém e isso acontece desde sempre. Como dizia um grande filósofo, é preciso respeitar os mais velhos. Assim, fica claro que o Brasil não está preparado para envelhecer.

04Portanto, o governo deve fazer campanhas para resolver esse problema. As pessoas precisam se conscientizar e cada um deve fazer sua parte. Dessa maneira, todos os idosos terão uma vida feliz e os problemas do envelhecimento acabarão.

Leitura comentada

  1. 1 · O que funciona

    A introdução delimita a discussão pela autonomia e anuncia dois aspectos que podem ser desenvolvidos. Não promete discutir todos os problemas da velhice.

  2. 2 · O que funciona — e o limite

    O exemplo mostra um mecanismo: atendimento exclusivamente digital pode gerar dependência. Ele é explicitamente hipotético; ilustra uma possibilidade, mas não demonstra a frequência do problema no país.

  3. 3 · O que precisa mudar

    “Todos” e “desde sempre” fazem afirmações que o texto não sustenta. O parágrafo reforça um estereótipo que deveria analisar. A referência a um filósofo sem nome nem obra não acrescenta evidência verificável.

  4. 4 · O que precisa mudar

    A conclusão não identifica um agente específico, nem explica a ação e seu funcionamento. A promessa de acabar com todos os problemas é desproporcional ao que foi discutido.

Uma possibilidade de revisão

Reescrita dos parágrafos 3 e 4

Outra barreira é tratar a idade como sinal automático de incapacidade. Em uma situação hipotética, decidir sobre a rotina de uma pessoa idosa sem ouvi-la pode parecer uma forma de cuidado, mas também pode retirar dela escolhas que continua apta a fazer. Por isso, oferecer apoio não deve significar substituir sua vontade: é necessário considerar suas condições e ouvir suas preferências.

Para ampliar a autonomia no acesso à saúde, as secretarias municipais de Saúde podem manter canais presenciais e telefônicos de agendamento, além dos aplicativos. A orientação nas unidades, com profissionais preparados para explicar as opções de atendimento, permitiria ao usuário escolher como marcar sua consulta. Essa medida reduziria a dependência de terceiros sem presumir que todas as pessoas idosas têm as mesmas necessidades.

Sua vez: reescreva esses parágrafos com outro exemplo ou outro recorte, mantendo uma relação clara com a tese. Depois, confira se a conclusão responde ao problema apresentado.

FUVEST · 2026 / opção dissertativaPerdoar não é apagar

Redação fictícia para estudo · contém problemas intencionais

O exemplo trabalha a opção dissertativa, não a carta. Leia também a coletânea oficial: este exercício focaliza a coerência argumentativa e não substitui a análise de todos os critérios da prova.

Primeira versão

01O perdão não desfaz o acontecimento que o tornou necessário. Por isso, pode conviver com limites: alguém pode abandonar o desejo de vingança e, ainda assim, recusar a retomada de uma relação. Condicionar a reconciliação à mudança de conduta não significa, necessariamente, negar o perdão; significa reconhecer que a confiança não se recompõe por uma decisão unilateral.

02Imagine que uma pessoa divulgue uma acusação falsa sobre um colega. Mesmo que o colega decida perdoá-la, a informação falsa continuará circulando caso não seja corrigida. O exemplo permite distinguir uma decisão pessoal de suas consequências públicas: o perdão pode modificar a relação com a ofensa, mas não substitui a reparação do dano.

03Entretanto, quem perdoa de verdade precisa esquecer tudo e voltar a confiar imediatamente. Todas as religiões ensinam isso, e qualquer pessoa boa deve agir dessa forma. Se houver alguma condição, não existe perdão, apenas interesse.

04Logo, o perdão tem limites, mas também não pode ter nenhum. Cada pessoa pensa de uma maneira e não há como chegar a uma conclusão. O importante é que todos sejam felizes e deixem o passado para trás.

Leitura comentada

  1. 1 · O que funciona

    A tese distingue perdão de reconciliação. Essa distinção dá ao texto um problema preciso, em vez de uma declaração genérica de que perdoar é bom.

  2. 2 · O que funciona

    A situação hipotética permite explicar por que perdoar não elimina a necessidade de corrigir um dano. O comentário após o exemplo é essencial para ligá-lo à tese.

  3. 3 · O que precisa mudar

    O parágrafo contradiz a tese sem discutir a mudança. “Todas as religiões” é uma generalização sem sustentação, e classificar pessoas como boas não demonstra o argumento.

  4. 4 · O que precisa mudar

    A conclusão abandona a distinção inicial e reúne afirmações incompatíveis. Reconhecer que há posições diferentes não dispensa o autor de concluir o próprio raciocínio.

Uma possibilidade de revisão

Reescrita dos parágrafos 3 e 4

Pode-se objetar que exigir uma reparação transforma o perdão em uma troca. A objeção é pertinente quando a vítima só admite renunciar à vingança mediante uma vantagem. No entanto, corrigir uma acusação falsa não é um benefício arbitrário: é responder por um dano que persiste. Assim, a decisão íntima de perdoar e a exigência pública de reparação podem coexistir, pois dizem respeito a dimensões diferentes da ofensa.

O perdão, portanto, não precisa impor o esquecimento nem a confiança imediata. Seus limites podem preservar a possibilidade de convivência sem apagar a responsabilidade de quem ofendeu. Perdoar é uma decisão possível diante do passado; reconstruir a relação depende também do que se faz depois dele.

Sua vez: reescreva esses parágrafos com outro exemplo ou outro recorte, mantendo uma relação clara com a tese. Depois, confira se a conclusão responde ao problema apresentado.

03 / Um parágrafo por dentro

Ponto → Evidência → Confirmação

Veja o raciocínio do exemplo sobre acesso aos serviços. A evidência, aqui, é uma situação hipotética: serve para explicar um mecanismo, não para afirmar quantas pessoas passam por ele.

Ponto
Um serviço pode estar disponível e, ainda assim, ser difícil de utilizar.
Evidência
Imagine uma pessoa idosa que só consegue marcar uma consulta por um aplicativo que não sabe usar, sem outro canal de atendimento.
Confirmação
A ausência de alternativa pode torná-la dependente de terceiros. O obstáculo está na organização do serviço, e não necessariamente na idade.

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